FIM!!!...OBRIGADA POR TODO O CARINHO DEMONSTRADO AO LONGO DESTES ANOS...,Beijinhos"
Que Bem Cheira A Maresia

28.11.05

Estios


A célula injectada que sou
não me permite mais viver
como quero.
Murchas estão as rosas que me deram,
murcha está a flor no fundo do meu bolso.
Há um prazer secreto em tudo isto,
que enche e ateia tudo: o de viver.
Viver!!!
Acordar todas as manhãs na minha cama,
vestir o casaco, meter a mão no bolso
e sentir lá a flor. Raivosa ela ri-se para mim,
pica-me com a sua presença de coisa morta,
sem vida. Impele-me, empurra-me para a rua,
para o sol, para as pessoas.
Pega em mim em peso, espeta-me de encontro à realidade.
Estou lá sem estar. Essa coisa no meu bolso
provoca em mim uma cólera imensa que vem debaixo
lentamente.
E queima-me, explode no meu peito, rebenta na minha
boca. Vocifero, vomito.... reflicto...
Em tudo, em todos, nessa praga no meu bolso
esse malmequer desfolhado, tão murcho como eu...
Ele chora, implora por calor. Pede-me soluçando
que não o deite fora.... e diz-me que há vida lá
fora. Eu, no fora, cá dentro sinto o peso amargo
da tua beleza morta. Preciso de te deixar.
Necessito urgentemente, alucinadamente de te
abandonar na calçada e pisar-te num
adeus escarninho.
A célula injectada que és
não me permite mais viver.
Lina (Mar Azul)
Música:Jacques Brell-Ne me quites pas

Posted by Que Bem Cheira A Maresia :: 28.11.05 :: 11 Comments:

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